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Workshop revela técnicas de plantio e perspectivas do mercado do Mogno Africano para produtores e investidores

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Foto: Internet
Para a maioria dos cerca de 200 participantes do 6° Workshop Internacional de Mogno Africano, que aconteceu neste mês (abril), em São Paulo, o evento trouxe muitas novidades e possibilidades de negócios. Conforme declarou Moacir José Sales Medrado, um dos painelistas, o workshop não se limitou apenas a dar informações técnicas, mas discutir sobre o mercado e o que investidores e produtores podem obter de retorno no futuro, bem como uma perspectiva sobre o uso do Mogno Africano nos diversos segmentos da indústria. “Saio daqui confiante”, declarou o diretor geral da MCA – Medrado e Consultores Agroflorestais Associados Ltda., ao agradecer o convite para participar do evento. Durante 8 horas de apresentações, foram tratados assuntos como plantio, cultivo e manutenção e manejo das florestas já implantadas ou a serem implantadas no país, bem como o controle de pragas que afetam a cultura do mogno no Brasil, a comercialização da madeira e o uso dela em segmentos importantes do comércio e fabricação de produtos que tem como base a madeira como a moveleira e a de instrumentos musicais.
 
O evento reuniu produtores, técnicos, investidores e interessados no cultivo da espécie de várias regiões do país, principalmente de estados que já destacam como produtores, por possuir áreas com florestas implantadas ou em preparo para plantio ou aquelas que são potenciais para receber um dos três tipos de Mogno Africano que tem se adaptado ao clima brasileiro. Como é o caso do coordenador da Secretaria de Pesca e Agricultura do Ceará, Hélio Chaves Bastos, que também é produtor de mogno e engenheiro agrônomo. “O workshop é fundamental para a troca de experiências e novas informações sobre plantio e cuidado com as florestas, principalmente no que tange as novas tecnologias e novos processos de cultivo. Nós temos um polo moveleiro muito grande no Ceará, são cerca de 700 indústrias e hoje esse pessoal trabalha com muito material importado. Então, temos uma demanda muito grande para explorar. Como as novidades chegam primeiro no Sudeste, meu papel aqui é verificar o que podemos levar de informações para os agricultores da nossa região”, disse.
 
As oficinas trouxeram informações de capacitação, buscando incentivar a plantação da madeira nobre e que, de acordo com as previsões, começará a dar retorno aos agricultores brasileiros em poucos anos já que as primeiras plantações já estão chegando no ponto de corte, informou o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Florestas (IBF), Solano Martins Aquino. Segundo Solano, o investimento no mogno africano é de, aproximadamente, R$ 20 a R$ 30 mil reais, dependendo se vai precisar de irrigação. “É um investimento alto e de longo prazo, então o planejamento é fundamental", conta o diretor do IBF. O mogno africano não é resistente à áreas encharcadas, mas é resistente à acidez do solo e responde bem a uma adubação adequada.
 
Por isso, o IBF faz a análise do solo, preparo da área total (calagem e correção, cova), bem como orientação na viabilidade e retornos financeiros para que o cliente tenha planejamento. “Além disso, orientamos sobre o pré-plantio, plantio e coleta", diz Solano ao falar sobre a atuação do instituto no Brasil e no exterior. Ao todo já são mais de 32 mil clientes e parceiros; 2.500 pessoas capacitadas por meio dos cursos e eventos realizados pelo IBF. Foram mais de 45 projetos de mogno africano assessorados pelo Instituto.
 
Sobre a importância do conhecimento e das informações oferecidas em eventos como o promovido pelo IBF sobre a produção de Mogno Africano, o consultor Moacir José Sales Medrado observou a importância dos debates envolvendo os diversos profissionais envolvidos no setor. "Dizem por aí que tudo que o produtor disser está certo. Ele [o produtor] sabe muito, mas nós temos que pegar o conhecimento científico e discutir com o produtor para chegar a um acordo. Isso faz o produtor crescer", reforçou Medrado sobre a importância de eventos como o workshop realizado pelo IBF para ampliar o olhar sobre o processo de diversificação florestal no Brasil. “Assim passamos a entender melhor os benefícios por ele gerados, na construção do caminho rumo ao aperfeiçoamento do processo de desenvolvimento sustentável do setor de base florestal brasileiro", completou o diretor da MCA – Medrado e Consultores Agroflorestais Associados Ltda..
 
  1. O Mogno Africano é de alto valor comercial e tolera uma gama enorme de tipos de solo e condições semiáridas, temperaturas típicas do nosso país.
 
Para mostrar que investir em produção florestal é um negócio rentável aos produtores e investidores brasileiros, o engenheiro florestal Roberto Bonse, trouxe o know-how e a experiência da STCP Engenharia de Projetos no setor. O diretor de desenvolvimento da empresa apresentou dados da atuação da STCP no Brasil e no mundo com números do setor florestal no Brasil, com evolução da área plantada nos últimos 10 anos e crescimento de cultivo do eucalipto em +4,3% ao ano, sendo ainda a maior produção de madeira no Brasil. O Mogno Africano está com 15 mil hectares plantados no país, sendo Minas Gerais e Mato Grosso os estados com maior área de plantio. A STCP acredita que há um potencial de diversificar a produção com as novas espécies de madeira, principalmente do Mogno Africano. Bonse destacou a força da madeira, a sua durabilidade, a cor e como há uma significativa demanda pela indústria de produção de movelaria, uma das principais utilizações do produto final (pós-corte).
 
Para chegar até esta fase, a produção do mogno africano deve ser consistente e apresentar ao final do ciclo uma madeira em perfeito estado, saudável e adequada para aquilo que é destinada. O mercado de mogno africano no Brasil já movimenta cerca de R$ 500 milhões por ano.
 
Segundo Solano Aquino, o Mogno Africano representa um investimento muito seguro e o IBF tem como uma de suas prioridades fornecer orientações aos investidores e produtores, acompanhá-los em suas áreas de produção e atendê-los com as melhores práticas de cultivo, manejo, controle das florestas e até mesmo ajudá-lo a chegar ao mercado. “Desta forma, investimentos nos workshops e convidamos nossos parceiros que trazem suas experiências e contribuem para esclarecer quem deseja investir, quem já pode plantar e quem já tem áreas plantadas”, salienta o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Florestas.
 
“Nossos campos são incipientes, mas a previsão é de que o Mogno Africano atinja um volume de cultivo bem interessante nos próximos anos e já comece a atender o mercado consumidor dessa madeira em breve, destacando que é uma madeira nobre, tem e sempre terá mercado”, explica. Para isso é fundamental a troca de experiências entre todos os envolvidos. As experiências em relação ao trato com as florestas foi o assunto apresentado pelas empresas Atallah, Alegro-Crim e Boutin. Gisele Atallah e Eder Barbosa, ambos do Grupo Atallah, apresentaram alguns exemplos das áreas plantadas e cultivadas pela empresa, especialmente o Projeto Taquari. Gisele indicou alguns dados do setor como a posição atual do Brasil no segmento, sendo o 2º produtor de madeira no mundo (19%) com seus 14 milhões de m². A previsão, segundo Gisele Atallah, é que o país sofra um apagão florestal com redução na produção de 64,28% até 2030, se não houver novos investimentos ou interesse pela produção de madeira. Na contramão, o Grupo Atallah, de olho no mercado, tem investido em projetos de implantação das florestas de Mogno Africano, cuja madeira é usada intensamente na indústria em setores como o moveleiro e musical, por exemplo. Informações completadas por Pedro Petry, do Atelier Pedro Petry, que trouxe algumas tendências do mercado em design sustentável, onde já desenvolveu peças de mobiliário com mais de 300 espécies de madeiras de vários lugares.
 
Da mesma forma a Polim-Agri trouxe para os participantes do 6º Workshop Internacional informações sobre novas tecnologias que facilitam as atividades desenvolvidas no campo, através de parcerias importantes. Entre elas está o uso de drones para análise do plantio, além de insumos e demais produtos como o gel de irrigação, que é um dos principais produtos usados atualmente por grandes empresas. Ele pode ser usado em cultura já instalada e também em plantios, manutenção de floresta etc. Um dos benefícios é que evita requeima, reduz o escoamento de nutrientes e de pesticidas. “E ajuda a obter ganho econômico com a redução das quantidades e periodicidades das irrigações", orienta Heitor Lopes, sócio proprietário da Polim-Agri Insumos Agrícolas. Segundo ele, o Brasil foi um dos últimos países a usar hidrogel no plantio perto de países com menos condições técnicas que já usavam antes. “Você colocar hidrogel e, com isso, disponibilizar água para a planta, tem uma enorme diferença no resultado. Você está colocando água ali, dando vida à implantação da floresta", afirma Lopes.
 
Parceiros do IBF também apresentaram seus produtos, como foi o caso da Boutin, fundada em 1962 na cidade de Curitiba/PR. Eles apresentaram alguns de seus equipamentos para atender o segmento agrícola, desde fertilizantes até as ferramentas manuais, equipamentos de proteção e outras ferramentas necessárias no dia a dia de um empreendedor rural e que foram sorteados entre os inscritos no workshop. A equipe do IBF também apresentou informações sobre as atividades desenvolvidas pelo Instituto na preparação e fornecimento de mudas para o plantio. Para manter a saúde das florestas, Carla Papai, consultora técnica comercial na Dinagro, engenheira florestal e mestra em recursos florestais pela Esalq/USP, explicou os prejuízos que as formigas saúvas podem causar já que consomem até três toneladas de folhas por ano, o equivalente a 86 árvores, por isso a necessidade de controle da praga, especialidade dos produtos da Dinagro.
 
O manejo de florestas de forma adequada pode ser certificada pelo sistema FSC de Certificação e Manejo Florestal, representada no workshop por Andrea Werneburg. Entre as vantagens, segundo Andrea, está o acesso a novos mercados ou manutenção dos atuais com key accounts, políticas de compra, editais públicos, preços diferenciados em mercados exigentes, acesso facilitado a financiamentos, melhoria da imagem institucional e marketing B2B e B2C. Junto aos consumidores, uma pesquisa conduzida pelo próprio FSC apontou que 76% dos consumidores sabem que suas escolhas de compra podem afetar o meio ambiente e, portanto, eles decidem por algo com certificação. 53% deles indicam que estão em busca de produtos com menor risco de prejuízo ao ambiente, mostrando, portanto, mais consciência em termos de ações negativas contra o meio ambiente.
 
No que tange a investimentos e obtenção de recursos, Mauricio de Moura Costa, fundador e diretor da Bolsa de Valores Ambientais (BVRio) e da e2 Socioambiental, empresa focada no desenvolvimento, financiamento e gestão de projetos de investimento socioambientais, apresentou dados acerca dos investimentos no mercado de madeira e as parcerias internacionais que já contam com investidores de diversos países no mundo. Sobre a troca de experiências e obtenção de financiamentos e parcerias internacionais, Christian Lenke – da IFAAlliance – uma parceira internacional do Instituto Brasileiro de Florestas – mostrou as ações que as duas instituições realizam em busca de oportunidades de negócios, buscando o reflorestamento, diminuição da emissão de CO² e o plantio e cultivo do Mogno Africano. Neste contexto, o diretor de desenvolvimento do IBF, Higino Martins Aquino, trouxe detalhes de como promover as plantações com plantio comercial a partir de "boas" famílias e, progressivamente, como abater os clones com base em resultados de ensaios iniciais, encerrando os debates.
O pequeno produtor Jean Yves, que veio de Ribeirão Preto, e que tem interesse de investir no Mogno Africano, o evento provou que é preciso ter conhecimento técnico, contar com parceiros que tenham esse know-how, além de compreender o mercado para obter êxito no plantio e cultivo do Mogno Africano. “A partir das informações coletadas aqui, temos uma ideia do que fazer, como fazer e o que podemos esperar em termos de retorno”, completou.
 


Fonte: Visão Estratégica Comunicação

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